quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um panetone magnífico!

Praticando o que mãe Verinha mais gostava, o footing, descobri um novo endereço em São Paulo que quero dividir com vocês: a Casa Bauducco. Fica na Alameda Lorena, 1682, no Jardim Paulista. Trata-se de uma loja permanente da marca, ou seja, teremos panetone o ano todo, além de outras coisinhas gostosas, tais como grisinis, focaccias, bolos e cookies. Tudo mais artesanal, diferente dos já gostosos produtos Bauducco que encontramos nos supermercados. Vale a pena a visita para tomar café com uma fatia de panetone quentinha, salpicada com açúcar de confeiteiro e canela, pois descobrir novas paradas para um cafezinho é Verinha de tudo! (Leonora)

Parece que estou vendo a cara da mãe Verinha frente a essa dupla cafezinho-panetone.
Como diz o papel sobre a bandeja: magnífico!



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um charme amarrado ao pescoço

Como já mencionei aqui no post “Gordinha de classe!”, mãe Verinha insistia para que eu me cuidasse e me arrumasse. Uma de nossas paixões, além dos sapatos, eram os lenços, cachecóis e echarpes. Mamãe dizia que lenço é um acessório que combina com todas as ocasiões, tanto no inverno quanto no verão. É leve, feminino e versátil, permitindo várias brincadeiras. Dependendo do tecido e do tipo de amarração, um bom lenço e uma boa camisa branca podem nos levar elegantemente a quase todos os lugares. Adorávamos trocar figurinhas, fosse sobre um jeito diferente de amarrar, as cores da moda ou uma combinação divertida. Mãe Verinha recortava fotos de revistas e reportagens sobre o tema e guardava para me dar. Esse meu gosto foi crescendo e virou uma mania. Divirto-me olhando lenços, gosto de ver as estampas, de passar a mão para sentir a textura e do aconchego que dão ao pescoço e charme ao visual. Desde fevereiro a minha coleção ganhou peças especiais, alguns lenços e echarpes da mamãe. Ao mesmo tempo que quero guardá-los, para que fiquem preservados, tenho prazer em enrolá-los no pescoço, sinto como se fosse um abraço dela. Então, seja de dia ou de noite, no inverno ou no verão, para trabalhar ou passear, uso e abuso dos meus lenços, pois fazer um charme é Verinha de tudo!
Vejam como as cores e as texturas inspiram alegria e aconchego!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Olá! Estive distante do blog por, aproximadamente, um mês, pois esse foi o meu período de férias. Nesse ano, em especial, tirar férias no mês de novembro foi providencial e vou explicar o porquê. Eu e mãe Verinha fazemos aniversário no mês de novembro, ela no dia 14 e eu no dia 19. Sempre que ligava para cumprimentá-la pelo aniversário, sua preocupação maior era dizer que o meu já estava chegando. Já no final de outubro comecei a sentir um aperto no peito e, conforme os dias iam passando, a saudade aumentava. Fiquei pensando em como estar mais pertinho da mamãe nesse dia e concluí que era ficando bem pertinho de mim. Sendo assim procurei passar o dia fazendo exatamente o que me desse vontade. Estando de férias isso foi possível, ri quando deu vontade, chorei quando deu vontade, dormi quando deu vontade, caminhei pela rua sem destino, tomei banho demorado e “conversei” muito com a mamãe. Foi maravilhoso ter tido esse espaço, esse tempo livre para viver a saudade. Foi o meu presente de aniversário, pois viver intensamente as emoções é Verinha de tudo! (Leonora)
 
Flores para Verinha!
 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Aniversário de Verinha

Hoje Verinha completa 69 anos. Dizemos "completa", assim mesmo, no presente, porque mãe é verbo presente. Ela continua viva, nos traços e nos gestos, em cada uma de suas filhas e em cada um de seus netos.

Em sua memória, e com muito amor, é que registramos os versos de Milton Nascimento, lembrados hoje pela filha do meio, Lorena:

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, Vera
Eles se amam é pra vida inteira, Vera




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Dialeto 6

Hoje vou contar uma expressão da mãe Verinha que achamos muito engraçada. Quando falávamos algo divertido, fazíamos uma careta fora de hora, inventávamos uma dança desengonçada, vestíamos uma roupa que não combinava com a ocasião ou contávamos um “causo” sem propósito, mamãe dizia sempre: “Paiaçada!”. Pronto, era um riso só. Aquilo queria dizer uma de duas coisas, ou era algo que ela não estava aprovando ou apenas tinha achado graça mesmo. Vou dar dois exemplos. No casamento da Mariana, a filha mais nova, conversando com a mamãe por telefone pra combinar os últimos detalhes (lembrando que morávamos em cidades diferentes e o telefone era nosso fiel aliado) eu, com o meu “estilo” natural de ser, disse que só queria que marcassem hora no salão para arrumar o cabelo, pois eu mesma faria uma maquiagem leve. Foi um prato cheio, mamãe disse em alto e bom som: “Paiaçada!”. Resumindo a conversa, não tinha a menor chance daquilo acontecer, ficaríamos as quatro no salão para fazermos cabelo e maquiagem e ponto final. Outro exemplo era quando juntavam as três filhas em sua casa e nós nos abraçávamos para eu recitar o seguinte versinho: “A mamãe tem três filhinhas. A mais nova é descolada, a do meio a sabidinha e a mais velha a bonitona!” Era automático: “Paiaçada!”, mamãe já dizia rindo e o meu prazer era esse mesmo. Provocar risos fora de hora com coisas cotidianas é “Verinha de tudo!” (Leonora)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um cafezinho?!

Estou pra conhecer alguém que goste mais de café do que a mãe Verinha. Ela gostava não apenas de tomar café, mas também de xícaras, colheres, bule, açucareiro e, claro, de forrinho para o pires. Quando começamos a apreciar a bebida, mãe Verinha tratou de nos ensinar que, ao adoçar o café na xícara, devíamos mexer sem fazer muito barulho. Ao terminar, a colher deveria ser colocada no pires, sem que fosse levada à boca para provar o café. Quando queríamos apressar a degustação e soprávamos o café, mãe Verinha franzia a testa e perguntava se tínhamos nascido de sete meses, querendo dizer que esperássemos educadamente até que esfriasse um pouco. Ao menor sinal de descolar o dedinho da asa da xícara, ela nos lembrava que o mindinho fazia parte da mão, portanto deveria permanecer  na companhia dos demais.
Na eterna ginástica de driblar a distância, e compartilhando desse gosto, sempre que tomava um cafezinho gostoso, fotografava e enviava por mensagem para a mãe Verinha perguntando: “Está servida?”. Ela gostava e logo comentava que tinha acabado de tomar ou que ia passar um novinho. Nas minhas viagens, costumava enrolar os acompanhamentos em um guardanapo e trazia para ela. Chegavam amassadinhos, mas era só para dizer o quanto havia lembrado dela. Ao longo do dia, faça frio ou faça sol, parar para tomar um cafezinho saboreando com calma é “Verinha de tudo!”. (Leonora)

Fran’s café – Colher pousada no pires, mas sem ter dado uma voltinha pela boca.

Capuccino da Romana, padaria de Campinas, que era parada obrigatória da mãe Verinha quando vinha por aqui.

Um café com bolinho feitos por mim.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Era uma vez um ipê...


Meu gosto pelos ipês veio desde a infância, cultivado por minha mãe. Morávamos em uma casa de esquina de quarteirão, ladeada por três ou quatro ipês amarelos. Todo ano eles floriam próximo ao meu aniversário, e mãe Verinha me ensinou a observar este presente da natureza para a “minha” primavera. “Má, tem flor brotando nos ipês, seu aniversário está chegando...”, ela dizia. Cresci aguardando, ano a ano, a casa se encher de amarelo, como se me presenteasse com seu tom mais intenso e mais bonito. Depois, nos mudamos desta casa para um apartamento, e, anos depois, novamente para uma outra casa, em outro estado. Certa vez, já morando longe da mãe Verinha, comprei terra e algumas sementes de ipê amarelo e levei pra ela, que prontamente plantou em seu quintal. Acompanhei o crescimento vigoroso do ipê. Ele tinha a sorte de contar com os cuidados amorosos de Verinha, que levava muito jeito pra jardinagem. Por meio de ligações telefônicas, ela me contava orgulhosa do crescimento da árvore. Nas minhas visitas a ela, a primeira providência era ir ao quintal ver o ipê cada dia mais alto e mais robusto. Da última vez, preocupei-me com o tamanho da espécie face ao tamanho da casa. “Mãe,acho melhor transplantar esta árvore para outro lugar, pois suas raízes podem comprometer a fundação da casa”. Ao meu alerta, ela respondeu decidida: “quando isso acontecer, eu já não estarei aqui, não estarei mais viva, mas terei admirado e aproveitado toda a beleza do nosso ipê”. E assim foi. Mãe Verinha faleceu com um ipê frondoso em seu quintal, embora sem flores àquela época. Não só o ipê, mas as orquídeas, as samambaias, as bromélias, as flores de seda, tudo era verde, era viçoso, era vivo quando ela se foi. Houve um vizinho que, incomodado com as folhas do ipê, pulou o muro da casa e cortou-o  rente ao chão, para que as folhas não sujassem sua piscina. Mas o significado daquela árvore já estava, para sempre, enraizado na minha existência. As memórias daqueles ipês que explodiam em amarelo contra o céu mais azul do inverno nutrem saudade e gratidão.

Hoje, moro em apartamento, e, obviamente, não é possível ter um ipê dentro de casa. Vivo procurando maneiras singelas de representá-los. E não é que neste final de semana encontrei uma opção de pura delicadeza e beleza, a exemplo dos ipês da mãe Verinha? São as capas de almofadas da Monograma (Rua Rio de Janeiro, 2318 – Lourdes – BH)! Comos ipês bordados a mão, as almofadas imediatamente trouxeram a mim as lembranças dos ipês da infância. Trouxe dois exemplares das almofadas pra casa,cada uma delas com nove ipês bordados, o suficiente para encher de significado qualquer lugar de descanso da minha casa. Um ipê amarelo - plantado, bordado,tatuado ou lembrado - é Verinha de tudo! (Mariana)
Vejam que lindas as almofadas...

Olhem o detalhe do bordado...

O "meu" ipê amarelo, amassadinho, pois não passei a capa da almofada ainda... : )