Estou pra conhecer alguém que goste mais de café do que a mãe Verinha. Ela gostava não apenas de tomar café, mas também de xícaras, colheres, bule, açucareiro e, claro, de forrinho para o pires. Quando começamos a apreciar a bebida, mãe Verinha tratou de nos ensinar que, ao adoçar o café na xícara, devíamos mexer sem fazer muito barulho. Ao terminar, a colher deveria ser colocada no pires, sem que fosse levada à boca para provar o café. Quando queríamos apressar a degustação e soprávamos o café, mãe Verinha franzia a testa e perguntava se tínhamos nascido de sete meses, querendo dizer que esperássemos educadamente até que esfriasse um pouco. Ao menor sinal de descolar o dedinho da asa da xícara, ela nos lembrava que o mindinho fazia parte da mão, portanto deveria permanecer na companhia dos demais.
Na eterna ginástica de driblar a distância, e compartilhando desse gosto, sempre que tomava um cafezinho gostoso, fotografava e enviava por mensagem para a mãe Verinha perguntando: “Está servida?”. Ela gostava e logo comentava que tinha acabado de tomar ou que ia passar um novinho. Nas minhas viagens, costumava enrolar os acompanhamentos em um guardanapo e trazia para ela. Chegavam amassadinhos, mas era só para dizer o quanto havia lembrado dela. Ao longo do dia, faça frio ou faça sol, parar para tomar um cafezinho saboreando com calma é “Verinha de tudo!”. (Leonora)
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Fran’s café – Colher pousada no pires, mas sem ter dado uma voltinha pela boca.
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| Capuccino da Romana, padaria de Campinas, que era parada obrigatória da mãe Verinha quando vinha por aqui. |
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| Um café com bolinho feitos por mim. |
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